quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Assassinas

A solidão mata. Não mata de uma vez. Vai matando... aos poucos. Como ácido que corroi as tuas entranhas. A solidão vem de noite, dorme agarrada a ti e susurra-te pesadelos. E de manhã murmura "Bom Dia" enquanto abres os olhos, inchados do choro da noite anterior. Pontapeia-te na barriga até sentires o teu estômago a contorcer-se de dôr. Retira-te as forças que tão esforçadamente tentas recuperar noite após noite. A solidão aliada da saudade, tornam-se quase invenciveis. Demonstram-te o quão frágil e vulnerável tu és. Perante elas as pernas fraquejam e as forças desvanencem-se. Numa tentativa de as afastares de ti, choras. Choras de raiva porque elas gritam-te memórias. Choras de dôr. Dôr que não pediste para sentir. Dôr que não sabes como curar. Como assassinas que são, elas chantageiam-te, ameaçam-te para que não fales sobre elas a ninguém. Porque nesse silêncio elas ganham ainda mais força. É uma luta desigual.
Na qual, como em todas as outras, há um vencedor e um perdedor...